Resolvi fazer um post mais intelectualóide hoje. Apenas uma coisinha para pensarmos e refletirmos sobre essa era digital para a qual caminhamos inexoravelmente, a passos largos e rápidos.
É impressionante como a internet, que até bem pouco tempo era novidade, pode vir a entrar em colapso, em um futuro próximo.
Como que o encontro pessoal, humano, foi sendo substituído pelo telefone e agora pelos programas de mensagem instantânea. Quem nunca disse "a gente conversa no MSN!"?
E agora, ao invés de irmos para rodas de música, ou eventos em locais, visitamos salas de bate papo para conhecer pessoas. E não mais escrevemos cartas e textos de amor com nossas próprias letras, mas escolhemos uma fonte bonita no seu editor de texto favorito e colocamos uma imagem para combinar.
Dentro dessa mentalidade, Millôr Fernandes, verdadeiro multi-homem das artes brasileiras, e que escreve regularmente para a Revista Veja, colocou um texto muito interessante sobre essa situação. Eu o li hoje de manhã, ao colher material para minha monografia, e achei bastante legal e resolvi compartilhá-lo para a nossa esparsa, porém fiel audiência.
O texto é da revista Veja da primeira quinzena de abril, desse ano. Maiores informações consultem o site da editora, http://www.abril.com.br/.
Como o artigo é grande, vou postar só a parte final dele, que eu achei a mais interessante.
"Defendendo o passado-vivo no presente, já publiquei aqui uma análise do precursor do Computador, o Livro, que muitos julgam extinto:
L.I.V.R.O. Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas. É um insuperável conceito de tecnologia de informação.
L.I.V.R.O. não tem fios nem baterias. Não é conectado a nada e facílimo de usar – qualquer criança pode operá-lo. Basta abri-lo.
É formado por seqüência de páginas numeradas, com milhares ou milhões de informações. As páginas são unidas por sistema de lombadas, que as mantém automaticamente em seqüência correta. Dados inseridos nas duas faces da folha duplicam a quantidade de dados e reduzem custos. Um simples movimento de dedo permite o acesso instantâneo à próxima página. Nunca apresenta "erro geral de digitação" nem precisa ser "reinicializado". E a informação fica exatamente no local em que você a deixou mesmo com o L.I.V.R.O. fechado. A compatibilidade dos marcadores de página é total, permitindo que funcionem em qualquer modelo sem necessidade de configuração.
Inseparável do L.I.V.R.O. está o mais simples e prático computador que conheço – o L.A.P.I.S. Numa ponta o Processador de Texto. Enquanto o computador muderno nos permite escolher apenas entre 234 fontes, o L.A.P.I.S. oferece fontes infinitas, pois cada pessoa tem uma fonte, chamada "caligrafia", pessoal. E pra tornar a letra negrita basta a pessoa aumentar a pressão.
Tudo muito sensual. Sensualidade inteiramente ausente do Computador atual.
No outro extremo do L.A.P.I.S. você tem o Deletador, chamado borracha, com o qual apaga facilmente qualquer erro cometido.
Em tempo e importantíssimo: tanto o L.I.V.R.O. quanto o L.A.P.I.S. não enguiçam!
P.S. O Lápis que ilustra esta página foi desenhado por um L.A.P.I.S. (instrumento pré-computador).
Se vocês querem gracinhas feitas com o Processador e o Deletador do lápis, podem consultar também o talento de Ross Bollinger, em www.pencilmation.com."
Provavelmente vai ter postagem dupla hoje para floodar. Então fiquem atentos.
Beijo do Gordo! (Marca registrada Jô Soares =D )
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